Existem certas coisas nesta vida que nunca me agradaram e eu, como bom teimoso, nunca tentei mudar de opinião. Em alguns casos isso é positivo mas repassando “a lista dos desagravos” percebo que alguns itens se repetem com tanta intensidade que parecem um farol pedindo atenção.
Não gosto de gente intrometida nem de mentiras.
Não gosto de perguntas sobre o filme que estou assistindo nem de Domingos.
Não gosto de feriados em casa nem de cinema sem companhia.
Não gosto de preguiça nem de banhos frios.
Tudo assim, sem relação e fortemente correlacionadas, gerando paradoxos que eu pouco compreendo e nem faço questão… mas a dose repetitiva dos fatos faz pensar…
Os Domingos nunca param, mas houve uma época em que eles eram bem vindos e muito aguardados, principalmente se seguidos de feriados prolongados… mas esse tempo passou e os Domingos voltaram com sua carga de melancolia e desprezo.
Um dos meus desejos é ter um cinema e uma cafeteria com livros, mas nunca assistiria aos filmes antes do público, sempre detestei cinema sem amigos. Cinema é para compartilhar, ficar na fila comentando e cheio de expectativas, sair da sala comparando cenas e hipóteses no roteiro, sentar em qualquer mesa para dividir a pizza enquanto imagina-se a continuação do filme. Cinema sem companhia é locadora sem pause, cadeira desconfortável e frio do ar condicionado… mas hoje em dia companhia pra cinema não é assim tão fácil.
Banho frio nem cachorro gosta. Corre, pula e se sacode até te molhar pra mostrar como é aquela água gelada com sabão escorrendo pelo pescoço. Os médicos tinham, por obrigação, que inventar algo para combater os (ditos) problemas que o banho quente causa. Vá lá que uma irritação na pele ou “qualquer coisa relacionada aos alvéolos” nem se compara ao prazer de um banho quente com o espelho embaçado, fumaça dançando pelo quarto ao abrir a porta e a sensação de flanar…
Flanar… qual será a graça de flanar sem um ser qualquer para lhe puxar por vielas novas? Sem o calor de um banho ou os comentários pós cinema? Flanar não combina com Domingos nem com telefones mudos, não combina com dias passados nem sorrisos perdidos…
Flanar é para hoje, mesmo que em movimentos mentais…